ATUALIZAÇÃO JURÍDICA

Cartório barra registro de dívida milionária após identificar possível violência patrimonial contra mulher

Cartório barra registro de dívida milionária após identificar possível violência patrimonial contra mulher Cartório barra registro de dívida milionária após identificar possível violência patrimonial contra mulher

Brasil

Redação Online

Publicado em 20 de agosto de 2026 às 15:28 | Atualizado há 44 minutos

Cartório identifica risco, barra dívida milionária e aciona a Justiça para proteger patrimônio de mulher em Goiás | Foto: Reprodução

O Cartório de Registro de Imóveis de Bela Vista de Goiás recusou o registro de uma confissão de dívida no valor de R$ 1,125 milhão, nesta quinta-feira (20/08). O débito tinha como garantia uma hipoteca sobre um imóvel pertencente a uma mulher, que afirmou ter assinado o documento após sofrer pressão, constrangimentos e agressões. A serventia encaminhou os documentos à Justiça após identificar indícios de violência patrimonial. A situação chegou ao 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia, que já analisava medidas protetivas relacionadas ao caso.

A juíza Aline Freitas da Silva Ponciano avaliou os novos documentos apresentados pelo cartório e ampliou as medidas protetivas que já estavam em vigor. A decisão proibiu o homem de utilizar ou comprometer bens da mulher, além de assumir obrigações em nome dela. A ordem também impediu o acesso ou uso de documentos, dados bancários e informações patrimoniais da vítima para essas finalidades.

A determinação judicial também alcançou a administração dos bens e dos recursos financeiros da mulher. Caso existisse procuração que concedesse ao homem poderes sobre o patrimônio dela, a decisão determinou a suspensão desse instrumento. A magistrada destacou que as medidas possuem caráter protetivo e não representam uma decisão definitiva sobre a validade da confissão de dívida. Uma eventual discussão sobre o contrato deverá ocorrer em processo próprio.

Segundo os autos, a obrigação apresentada ao cartório estaria ligada a compras de gado realizadas pelo homem. Ele teria declarado que as aquisições feitas em 2026 eram de sua responsabilidade e que a mulher não participou das negociações. Apesar disso, guias e notas fiscais relacionadas às compras foram emitidas em nome dela, fato que contribuiu para a avaliação do risco patrimonial no processo.

A conduta adotada pelo cartório segue as diretrizes do programa O Nome É Dela, criado pelo Tribunal de Justiça de Goiás para fortalecer a identificação e a prevenção de casos de violência patrimonial contra mulheres. A iniciativa orienta os serviços extrajudiciais a realizar entrevistas reservadas diante de possíveis sinais de coação, recusar atos quando não houver segurança jurídica e acionar a rede de proteção diante de situações de risco.

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Fonte: Diário da Manhã

Nota editorial: esta notícia tem caráter informativo e pode sofrer atualização. Consulte fontes oficiais antes de tomar decisões jurídicas.

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