crédito Mercado Imobiliário
Bancos e cartórios avançam na automação do financiamento imobiliário
Integração entre ONR e seis grupos financeiros deve reduzir etapas manuais na consulta de imóveis e no registro de garantias
Redação
6 de outubro de 2026 // 20:00
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(Foto: Reprodução / Pexels)
O financiamento imobiliário deve ganhar novas etapas automatizadas a partir da integração entre bancos e cartórios de registro de imóveis. O Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR) firmou um Acordo de Cooperação Técnica com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Sicredi, Ailos e Unicred para estruturar o compartilhamento de informações sobre imóveis e garantias.
A proposta é permitir que as instituições financeiras consultem dados dos imóveis e acompanhem o registro das garantias por meio de fluxos digitais estruturados. A medida pode reduzir etapas manuais, retrabalho e tempo de análise dos processos de financiamento, sem retirar dos cartórios a responsabilidade pelos atos registrais.
Procura por serviços digitais cresce
A expansão da demanda por serviços eletrônicos ajuda a explicar o movimento de automação. Dados do ONR mostram que as visualizações de matrículas solicitadas por bancos passaram de 91.395 em 2023 para 164.011 em 2024 e chegaram a 274.179 em 2025.
Os pedidos de certidões digitais também aumentaram no período. Foram 241.146 solicitações em 2023, 318.263 em 2024 e 347.040 em 2025.
A plataforma RI Digital já oferece serviços como certidão digital, e-Protocolo e visualização de matrícula. A nova integração deverá utilizar essa estrutura para ampliar a automação da comunicação entre instituições financeiras e cartórios.
Análise do imóvel poderá ser automatizada
Com os dados estruturados, verificações que hoje podem exigir consultas e conferências manuais, como titularidade e existência de ônus sobre o imóvel, poderão ser processadas automaticamente.
Os primeiros testes da integração estão previstos para começar em fevereiro. Segundo o ONR, a tecnologia poderá ser adotada também por instituições financeiras que não participaram inicialmente do acordo.
A expectativa é reduzir o tempo necessário para análise dos imóveis e diminuir problemas provocados por informações incompletas ou pela necessidade de repetir procedimentos em diferentes sistemas.
O ganho de eficiência, porém, dependerá da qualidade dos dados disponíveis e da capacidade de integração entre as plataformas utilizadas por bancos, cartórios e demais participantes do processo.
Garantias podem entrar no mercado de ativos digitais
A integração também abre espaço para uma etapa mais ampla de digitalização do crédito imobiliário. Depois que uma garantia real estiver constituída e registrada no cartório, o crédito lastreado nesse ativo poderá circular de forma tokenizada no mercado financeiro.
A tokenização, nesse caso, não substitui o registro oficial do imóvel. A matrícula continua sendo a referência jurídica para a existência e a constituição da garantia.
O movimento ocorre em paralelo às discussões sobre a utilização de ativos digitais no mercado financeiro. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mantém iniciativas experimentais para avaliar aspectos técnicos, operacionais e jurídicos relacionados a valores mobiliários tokenizados e à interoperabilidade entre redes.
Bancos buscam reduzir etapas do financiamento
A automação tende a atingir diferentes momentos do financiamento imobiliário, desde a consulta inicial sobre o imóvel até o registro da garantia. Também estão em discussão procedimentos posteriores, como quitação, cancelamento da garantia e medidas relacionadas à inadimplência.
A Caixa avalia que o compartilhamento estruturado de informações, documentos e eventos pode reduzir prazos e aumentar a segurança das operações, desde que sejam preservadas as atribuições legais de cada participante.
O avanço também se conecta às discussões do Banco Central sobre a representação digital de direitos relacionados a imóveis e sua utilização como garantia de operações financeiras.
Para o consumidor, a principal mudança esperada é a redução da burocracia e do tempo necessário para concluir etapas do financiamento. A velocidade dessa transformação dependerá, contudo, da interoperabilidade entre os sistemas e da qualidade das informações que alimentam os processos.
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Fonte: Paraíba Business






