O ONR firmou acordo com grandes bancos para automatizar a consulta de dados de imóveis e o registro de garantias.A integração visa encurtar etapas do financiamento imobiliário, mantendo a competência dos cartórios.A demanda por automação cresceu, com aumento significativo nas visualizações de matrículas e pedidos de certidões digitais.Verificações como titularidade e ônus poderão ser processadas automaticamente, reduzindo retrabalho e tempo de análise.A tecnologia poderá ser adotada por outras instituições, com testes previstos para iniciar em fevereiro.Créditos lastreados em garantias reais poderão circular de forma tokenizada no mercado financeiro.A eficiência do processo dependerá da qualidade dos dados e da integração entre os sistemas dos participantes.
O Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR) firmou um Acordo de Cooperação Técnica com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sicoob, Sicredi, Ailos e Unicred.
A proposta é permitir que instituições financeiras consultem dados do imóvel e confirmem o registro da garantia por fluxos estruturados e automatizados.
Na prática, a integração pode encurtar etapas do financiamento sem retirar do cartório a competência sobre os atos registrais, destaca reportagem do Valor.
Demanda digital avança desde 2023
Os números informados pelo ONR mostram a pressão por mais automação.
As visualizações de matrículas solicitadas por bancos passaram de 91.395 em 2023 para 164.011 em 2024 e 274.179 em 2025.
Os pedidos de certidões digitais também cresceram: foram 241.146 em 2023, 318.263 em 2024 e 347.040 em 2025.
A plataforma oficial RI Digital já reúne serviços como certidão digital, e-Protocolo e visualização de matrícula, base sobre a qual a nova integração deverá operar.
Verificações poderão sair do fluxo manual
Com certidões eletrônicas estruturadas, checagens como titularidade e existência de ônus poderão ser processadas automaticamente.
O ONR prevê iniciar os primeiros testes da integração a partir de fevereiro e afirma que a tecnologia poderá ser adotada também por instituições que não assinaram o acordo.
A expectativa é reduzir retrabalho, tempo de análise e problemas causados por informações incompletas, além de melhorar a rastreabilidade das operações.
Garantia registrada poderá apoiar ativos digitais
Depois de constituída a garantia real no registro de imóveis, o crédito lastreado nela poderá circular de forma tokenizada no mercado financeiro.
Isso não significa substituir a matrícula por um token: o registro oficial continua sendo a referência jurídica.
A distinção é importante porque a CVM ainda trabalha em um regime experimental para testar a viabilidade técnica, operacional e jurídica de valores mobiliários tokenizados e a interoperabilidade entre redes.
Eficiência depende de interoperabilidade
A Caixa avalia que o compartilhamento estruturado de informações, documentos e eventos pode reduzir prazos e aumentar a segurança, preservadas as atribuições legais de cada participante.
O Banco Central também defendeu o aprofundamento de requisitos para a representação digital de direitos sobre imóveis e seu uso como garantia.
O ganho para o cliente dependerá da qualidade dos dados, da integração entre sistemas e da capacidade de automatizar eventos posteriores, como quitação, cancelamento da garantia e procedimentos em caso de inadimplência.
*Com informações de Valor
Fonte: portas.com.br






