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Home Economia Recuperação extrajudicial
Acordo teve adesão de credores responsáveis por 57,5% das dívidas
Tatiana Domingos
08/10/2026 | 08:37
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FOTO: Divulgação/Grupo Pão de Açúcar
A Justiça de São Paulo homologou ontem o plano de recuperação extrajudicial do GPA (Grupo Pão de Açúcar), que prevê a reorganização de R$ 4,5 bilhões em dívidas. O acordo teve adesão de credores responsáveis por 57,49% do valor dos débitos incluídos na negociação. A empresa afirma que as atividades das lojas seguem normais.
O plano envolve principalmente dívidas financeiras e não inclui débitos trabalhistas, impostos ou obrigações do dia a dia, como pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e aluguéis. “A companhia reforça que suas operações seguem normais e que está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e demais parceiros, os quais não integram a recuperação extrajudicial”, afirmou em comunicado.
Com a reestruturação, o prazo médio para pagamento das dívidas que não serão convertidas em ações passa de 2,1 para 6,4 anos, com juros de CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 0,5 ponto percentual ao ano.
O GPA, que tem lojas no Grande ABC, acumula prejuízos desde 2022 e encerrou 2025 com resultado negativo de cerca de R$ 651 milhões nas operações continuadas. Ao fim do ano passado, a companhia tinha dívida líquida de R$ 2 bilhões e dívida bruta de R$ 4 bilhões.
Entre as justificativas estão a queda no consumo, os juros elevados, os gastos com mudanças na gestão, as perdas de lojas por causa do baixo desempenho e o pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas.
Para a advogada Ana Franco Toledo, sócia do escritório Dosso Toledo Advogados, a recuperação extrajudicial pode ser utilizada como ferramenta de reorganização financeira. “Ela permite que a empresa busque uma solução negociada com seus credores, com maior flexibilidade e participação das partes na construção das condições para o pagamento das dívidas. Quando bem estruturada, pode contribuir para preservar a atividade empresarial, empregos, contratos e toda a cadeia econômica ligada ao negócio”, explica.
A situação financeira da empresa também levou o grupo a adotar medidas para reduzir despesas e gastos com juros, além de negociar com credores a extensão dos prazos das dívidas. Em março, o GPA apresentou o pedido de recuperação extrajudicial à Justiça.
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Fonte: Diário do Grande ABC






