ATUALIZAÇÃO JURÍDICA

Justiça homologa plano do GPA para reorganizar R$ 4,6 bilhões em dívidas

Justiça homologa plano do GPA para reorganizar R$ 4,6 bilhões em dívidas Justiça homologa plano do GPA para reorganizar R$ 4,6 bilhões em dívidas

Justiça homologa plano de recuperação extrajudicial do GPA, dono do Pão de AçúcarPlano reorganiza R$ 4,568 bilhões em dívidas, principalmente financeirasAdesão chegou a 57,49% do valor dos débitos, acima do mínimo exigido em leiCredores escolheram entre três opções de pagamento; 88,40% foram para a Opção APrazo médio da dívida passa de 2,1 anos para 6,4 anosDesde 2022 a companhia registra perdas a cada ano, somando R$ 4 bilhões de endividamento bruto

Para reorganizar R$ 4,568 bilhões que deve, o GPA, controlador da rede Pão de Açúcar, teve seu plano de recuperação extrajudicial validado pela Justiça.

Credores que correspondem a 57,49% dos débitos abrangidos aderiram ao acordo, fatia que supera o piso exigido pela lei.

A solicitação chegou aos autos em março, data em que a empresa também tornou público o acerto com os credores mais relevantes.

Na prática, a recuperação extrajudicial é um caminho que permite à empresa renegociar dívidas diretamente com quem tem a receber, sem recorrer à recuperação judicial.

A ideia é conseguir condições melhores, como prazos mais longos, e reorganizar as finanças.

Ainda que o combinado nasça da negociação entre a companhia e os credores, ele só produz efeitos legais depois do aval da Justiça.

Para o GPA, a atenção está voltada às dívidas financeiras.

Tributos, encargos trabalhistas e as despesas rotineiras (fornecedores, prestadores de serviço e aluguéis, por exemplo) não foram incluídos no plano.

Em resumo, a operação das lojas permanece fora dessa renegociação.

Em comunicado, o GPA destacou: ‘A companhia reforça que suas operações seguem normais e que está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e demais parceiros, os quais não integram a recuperação extrajudicial’.

Três caminhos para os credores receberem

Pelo plano homologado, quem tinha a receber pôde optar por uma entre três modalidades de pagamento.

A Opção A atraiu a maior parte dos credores, 88,40%, e não impõe redução sobre o que é devido, prevendo acesso a um aporte de R$ 200 milhões.

Desse total, uma fração se converte em títulos que rendem juros; o restante assume a forma de papéis passíveis de troca por ações do GPA no período de 2027 a 2031.

Um grupo menor, de 8,34%, preferiu a Opção B, que oferece prazo esticado, com vencimento em 2036 e rendimento atrelado ao CDI.

Os 3,26% restantes entraram na Opção C, reservada aos credores que não indicaram preferência pelas demais.

Nessa faixa, há desconto de 70% sobre a dívida, com os pagamentos começando só em 2032 e quitação marcada para 2036.

Do ponto de vista da companhia, o maior benefício do acordo está em ganhar fôlego para quitar suas obrigações.

Depois da reestruturação, a parcela que não vira ação passa a ter prazo médio de 6,4 anos, ante os 2,1 anos anteriores.

Sobre esse saldo incidirá uma remuneração atrelada ao CDI (indicador de referência do mercado financeiro) somada a 0,5 ponto percentual anual.

Dessa forma, o GPA troca parte dos pagamentos que viriam nos próximos anos por um endividamento mais alongado, o que reduz a pressão sobre o caixa no curto prazo.

O que levou o grupo à crise

O Grupo Pão de Açúcar acumula prejuízos a cada ano desde 2022, resultado de uma combinação de causas.

Entre elas: a queda no consumo, principalmente quando a inflação dos alimentos ficava elevada; as altas taxas de juros, que tornaram a dívida mais cara; os custos relacionados às mudanças no comando da empresa; a quitação de passivos fiscais e trabalhistas; e os prejuízos gerados por unidades com fraco desempenho.

Preocupação se instalou no mercado recentemente, quando a companhia reconheceu, em seu balanço trimestral, a existência de dúvidas sobre a continuidade de suas operações no longo prazo.

O ano passado terminou com rombo próximo a R$ 1,2 bilhão, conforme o documento que veio a público no fim de fevereiro, algo empurrado sobretudo por empréstimos e títulos cujo vencimento cai em 2026.

Assim, ainda que os números apontassem recuperação, o prejuízo não desapareceu.

‘Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia’, registrou a empresa no balanço.

A empresa afirmou também que ações para diminuir os riscos da operação já vinham sendo adotadas.

Entre elas estavam negociações com credores visando a extensão de prazos, a redução de gastos e dos custos com juros, além da conversão de créditos tributários em recursos, o que fortaleceria o caixa.

Mudanças no comando e nos acionistas

Nos últimos doze meses, o quadro de sócios passou por viradas.

Com 24,6% dos papéis, o Grupo Coelho Diniz tornou-se o maior acionista; já o francês Casino, que antes controlava o negócio, segue com 22,5% da companhia.

A presidência do conselho de administração ficou com o empresário André Coelho Diniz, eleito em outubro.

Pouco tempo depois, saiu Marcelo Pimentel, presidente-executivo desde 2022.

A direção-presidência foi ocupada por Alexandre de Jesus Santoro no começo de 2026.

Nas operações continuadas, o GPA registrou prejuízo líquido próximo de R$ 651 milhões ao longo de 2025.

Quando o período se encerrou, R$ 2 bilhões correspondiam à dívida líquida e R$ 4 bilhões, à bruta.

Já os papéis da companhia, identificados pelo código PCAR3, somam desvalorização de 21,12% no pregão ao longo dos 12 meses mais recentes.

Fonte: A Crítica de Campo Grande

Nota editorial: esta notícia tem caráter informativo e pode sofrer atualização. Consulte fontes oficiais antes de tomar decisões jurídicas.

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