O novo prédio foi instalado no km 160 da BR-116, ao lado do NNs Restaurante e Hamburgueria.Bettina Gehm / Grupo RBS
A tragédia climática de maio de 2024 deixou diversos danos à comunidade de Galópolis, em Caxias do Sul. Um deles foi a perda do cartório e do Centro de Registro de Veículos Automotores (CRVA) que tiveram as estruturas destruídas por um deslizamento de terra causado pela forte chuva.
Desde então, o serviço estava funcionando de forma temporária na Rua Bôrtolo Triches, no bairro Salgado Filho, em salas alugadas. Mas, no último sábado (3), o novo espaço foi inaugurado no bairro, com os atendimentos sendo iniciados na última segunda-feira (5).
O novo prédio foi instalado no km 160 da BR-116, ao lado do NNs Restaurante e Hamburgueria. A área total onde foi construído o prédio de dois andares corresponde a 650m².
E, para acompanhar o aumento da sede, a equipe que presta atendimentos no cartório foi ampliada. Hoje, cerca de 20 colaboradores trabalham no local.
Esses funcionários são divididos em grupos que prestam diversos serviços como: registro civil e de veículos, formalização e a redação de atos jurídicos, como escrituras e procurações.
O novo espaço busca trazer aos visitantes, além de toda hospitalidade e atendimento, também um sentimento de acolhimento, segundo Rosilene Sales, gestora na unidade.
Dessa forma, quem visitar o local poderá encontrar um espaço no segundo andar reservado a obras de arte, assim como uma pequena capela que será utilizada para a formalização de uniões estáveis e casamentos.
De volta ao primeiro andar, uma pequena exposição com itens totalmente doados pela comunidade ilustram um pouco da história de Galópolis com quadros com imagens recuperados dos primórdios do bairro e retratos do grande nome da construção do bairro, o empresário Hérculles Galló.
Escritórios divididos por setor, cômodos para descanso, diversas salas para reunião e um amplo saguão reservado para a prestação de atendimentos iniciais também são novidades em relação à antiga sede. Por fim, na parte posterior do lugar fica situado o espaço de vistoria de veículos.
Polêmicas, boatos e burocracias
O terreno foi escolhido ainda em novembro do ano passado. Com essa definição, a construção tinha a previsão de ser entregue em até oito meses. A demora para conclusão das obras, segundo Darla Pereira, presidente da Associação dos Moradores de Galópolis, foi por conta da burocracia municipal e dificuldade na obtenção das licenças ambientais necessárias junto à Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).
— Caímos na burocracia municipal. Houve entraves com medição do terreno e licenças ambientais na Secretaria do Meio Ambiente. Em determinado momento, um fiscal sugeriu o aterramento de um metro no terreno, o que geraria problemas para os vizinhos. Quando alinhamos que isso não seria necessário, esse mesmo fiscal entrou de férias e só ele podia assinar a liberação. Isso atrasou bastante o processo — afirma.
Além disso, antes da entrega da obra, circularam na comunidade boatos de que a obra poderia ser embargada. Rumores esses que, durante o processo de construção, tiveram que ser explicados e desmentidos pela presidente da associação.
— O que aconteceu foi que, após a fundação e a colocação das estruturas das vigas, foi necessário aguardar o tempo normal de secagem do concreto, além de alguns dias de chuva que atrapalharam o ritmo. Algumas pessoas viram a obra parada por esse motivo técnico e acharam que estava embargada — esclarece.
O estabelecimento retorna ao bairro depois de diversas polêmicas sobre a permanência ou não do serviço na localidade. Visto que Zucchi havia entrado com um requerimento pedindo para que o estabelecimento não retornasse mais ao bairro.
A justificativa para a decisão tinha como base as condições da região pós-tragédia e falta de opção de imóveis que pudessem abrigar o local.
Inclusive, os moradores do bairro e o titular do cartório participaram, em outubro de 2025, de uma audiência pública, presidida pelo juiz Carlos Frederico Finger para tratar do tema. No próprio encontro, Zucchi descartou a ideia de retirada do serviço da circunscrição de origem.
— Após uma audiência pública, o juiz orientou que a Associação dos Moradores de Galópolis se reunisse com o tabelião, Renan Zucchi, para apresentar opções de locais no bairro. No dia 11 de outubro de 2025, fizemos essa reunião com a presença de proprietários de terrenos e definimos o local — relembra Darla.
Importância para a economia local
Darla Pereira é presidente da Associação de Moradores de Galópolis.Neimar De Cesero / Grupo RBS
A presidente da Associação de Moradores de Galópolis, Darla Pereira, comemorou a volta do serviço à comunidade destacando que, além do valor histórico, há uma grande importância econômica do cartório para o bairro que não pode ser ignorada.
— O cartório oferece um conjunto de serviços, atua como centro de registro de veículos e movimenta uma parcela significativa da população — explica.
Darla ainda conta que a ausência da sede local vinha causando transtornos e dificuldades de deslocamento, principalmente para os idosos.
Além disso, segundo a presidente, a antiga sede tinha um fluxo de pessoas que buscavam atendimento de toda a região, desde Vila Cristina até Santa Corona e o início da Avenida São Leopoldo, o que ajudava a movimentar o comércio, indústrias e restaurantes locais.
Mesmo após diversos empecilhos, Darla ressalta que a relação entre a Associação dos Moradores de Galópolis, o tabelião Renan Zucchi, e a equipe do cartório é de muita transparência e parceria.
— Sempre que necessário, atuamos juntos perante o poder público para agilizar os processos. É uma união muito saudável que está garantindo o retorno desse serviço fundamental para Galópolis — comemora.
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Fonte: GZH






